sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A História da Pipoca


Se você mora nos grandes centros urbanos, é muito provável que já tenha ido ao cinema e comprado pipoca ou que pelo menos já tenha comprado um saquinho do carrinho do pipoqueiro. Esse quitute, normalmente salgado e crocante, é muito presente no cotidiano e sempre relacionado ao entretenimento. Para as pessoas curiosas seria mínimo questionar quem foi o inventor da pipoca, entretanto mais interessante que a invenção da pipoca é a história dela, que de acordo com evidências, começa em torno de 4700 a.C. Neste artigo, você verá de forma mais bem explicada toda a trajetória da pipoca até as salas de estar brasileiras.

A pipoca é principalmente feita a partir de uma variante de milho conhecida como Zea mays var. everta. Essa planta era cultivada pelos primeiros habitantes da América Central. Eles domesticaram o milho, que provavelmente originou-se do teosinto, planta com espigas e grãos muito pequenos. Dentre as diversas seleções que foram sendo feitas na planta, uma delas, devido à densidade do endocarpo de seu grão, era capaz de estourar a casca quando submetida a uma maior pressão causada pelo aquecimento. Mesmo que os arqueólogos e historiadores encontrem espigas de milho anciãs, artefatos e documentos dos colonizadores europeus que apontem para o uso da pipoca por esses antigos povos, jamais se saberá exatamente quem foi o indivíduo que teve a ideia de aquecer o milho numa superfície quente ungida de óleo. Se bem que esse aí deve ter sido não um gênio, mas sim um trapalhão que derrubou o milho no lugar certo e na hora certa.

O mundo ocidental conheceu a pipoca após o retorno dos conquistadores espanhóis das suas campanhas de conquista nas Américas. A planta e o conhecimento de como estourar o grão chegaram à Espanha e se disseminou para a Itália e Turquia. Como os turcos realizavam comércio com a China, a pipoca chegou até a Ásia no fim do século XVI. Dessa época até a Idade Moderna o milho comum influenciou a culinária popular de muita regiões, como a polenta, prato italiano. Contudo, a pipoca em si era uma iguaria nobre, pois o milho específico da pipoca era incomum assim como o conhecimento de sua propriedade “poc poc”. Há curiosos relatos de reis descrevendo a degustação da pipoca. Eles a sugeriam como uma boa sobremesa. Bem, aquela pipoquinha vermelha e doce não seria uma má sobremesa, certo?


Mas a pipoca chegou “de volta” à América? Há um mito, muito disseminado nos EUA no qual os índios americanos, no dia de ação de graças, apresentaram aos colonos ingleses o milho de pipoca e como estourá-la. Entretanto, é mais provável que o conhecimento da pipoca e a planta tenham chegado da Europa junto com a industrialização americana, que ocorreu entre 1865 e 1918. Em 1885, vendedores já empurravam carrinhos com fogões movidos à vapor ou gás pelos parques, feiras e exposições. Deve ter sido uma cena peculiar quando as pessoas viram pela primeira vez um pipoqueiro e seu produto.

Mesmo com eventos malignos para a economia como a Grande Depressão e a Segunda Guerra mundial, a mania de comer pipoca prevaleceu, pois a pipoca sempre foi um luxo barato que as famílias mais pobres podiam arcar.

A popularização de outras invenções como a televisão e o forno micro-ondas foi uma mola para a popularização da pipoca. Foi se tornando cada vez mais comum associar filmes e entretenimento com o consumo da pipoca. Atualmente, a menos que você queira economizar dinheiro, filme e pipoca é uma combinação de lei.

No Brasil a história só foi diferente pelo fato de ser tudo apenas uma cópia atrasada dos costumes americanos (como em muitas épocas foi e ainda é). Os primeiros carrinhos de pipoca brasileiros surgiram após 1930. Mas só depois de 1945, com as medidas industrializantes feitas por Getúlio Vargas, que o milho de pipoca passou a ser vendido para ser estourado nas casas dos brasileiros.

Tanto no Brasil quanto em países de todos os continentes, é interessante notar que o costume de comer pipoca quando se assiste a um filme ou se passeia em um parque é de origem totalmente norte-americana. O fim da história da pipoca acaba que ela, vinda dos ameríndios, se tornou em mais um símbolo da globalização. Se você é daqueles anti-estadunidenses, sugiro que não coma mais pipoca. Duvido.